Plano de Aula | Multimídia | Glossário

Olá Visitante 

Saúde

Aids: o perigo à solta

29/07/11

HIV

O Brasil possui 630 mil infectados pelo vírus HIV, mas países como a África do Sul apresentam números ainda maiores. Veja como as diferenças políticas e culturais em diferentes partes do mundo influenciam nas estatísticas

Referência no tratamento da aids, o Brasil vem conseguindo aumentar significativamente a expectativa de vida dos pacientes soropositivos.
No entanto, uma pesquisa do Ministério da Saúde (veja ao lado em matéria do G1) alerta que, por falta de prevenção, o número de infecções pelo vírus HIV vai aumentar entre os jovens nos próximos anos.

Saiba mais sobre a doença, que em 30 anos já matou quase 40 milhões de pessoas.

Entendendo a doença

Aids é a sigla em inglês para uma doença chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. É causada por um vírus chamado HIV (vírus da imunodeficiência humana) que apresenta como material genético o RNA, sendo, portanto, um retrovírus.

Quando uma pessoa é infectada pelo vírus HIV, significa que ela é soropositiva. No entanto, isso não significa ter aids. A aids é o estágio avançado da doença que ataca o sistema imune (imunitário ou imunológico) e só se manifesta após o vírus ser incubado pelo organismo. “Esse processo pode demorar anos, varia de pessoa para pessoa e também depende do fato de a pessoa estar sendo medicada ou não”, diz Carolina Brandão, especialista de Biologia. Porém, mesmo não desenvolvendo a aids, todo soropositivo carrega o vírus em seu corpo e pode transmiti-lo a outras pessoas.

Formas de contágio e diagnóstico
O HIV é um vírus que fica na corrente sanguínea do soropositivo, no leite materno e nas secreções do corpo, como os fluidos sexuais (o sêmen no homem e as secreções vaginais nas mulheres). Portanto, quando duas pessoas trocam estes fluídos, existe o risco de infecção por HIV – caso das relações sexuais desprevenidas, transfusões de sangue, compartilhamento de seringas e amamentação.

Mapa mostra os locais mais próximos para realizar o teste de HIV
A infecção geralmente é assintomática – não apresenta sintomas –, dificultando o diagnóstico precoce. Por isso, a maneira mais adequada de saber se está infectado ou não é realizar o teste de HIV, que consiste na retirada de uma amostra de sangue do paciente. “O Ministério da Saúde disponibiliza locais em que o teste é feito gratuitamente e de forma anônima, preservando a identidade de quem procura pelo serviço. Quanto mais cedo o soropositivo for diagnosticado, maior expectativa e qualidade de vida ele terá”, afirma Carolina. Porém, pode acontecer de no teste o resultado dar soropositivo sem que a pessoa esteja infectada pelo vírus HIV; é o chamado ‘falso positivo’.

Carolina explica que a vacina contra a gripe H1N1, doenças autoimunes como o lúpus, e tumores malignos são alguns dos fatores que podem causar o equívoco. “Também pode acontecer de um bebê que tenha mãe soropositiva adquira os anticorpos contra o HIV durante a gravidez, mas sem o vírus propriamente dito. Neste caso, o bebê tem seu teste positivo, mas não é soropositivo”, diz.

Prevenção e tratamento
Novo estudo faz OMS adiar diretrizes para prevenção do HIV
Na maioria dos casos, o contágio por HIV se dá por relações sexuais. Por isso, uma das maneiras mais eficazes de proteção contra a aids é o uso de preservativos. A especialista cita duas alternativas atuais que prometem diminuir o contágio: pílulas utilizadas principalmente por casais sorodiferentes (um é soropositivo e o outro não) e géis germicidas  contendo antirretrovirais. Porém, nenhuma delas tem a eficácia comprovada da camisinha. “Ela é a opção mais segura para a prevenção da aids”, afirma Carolina. “Além disso, é mais acessível e previne contra outras doenças sexualmente transmissíveis”. 

Os fatores que podem levar uma pessoa ao contágio pelo vírus HIV, como o sexo sem proteção e o compartilhamento de agulhas e seringas, são comumente denominados ‘comportamentos de risco’. A transmissão de mãe para filho também é muito frequente e pode acontecer na gestação, no parto e na amamentação. “Quando a mãe é soropositiva, ela deve ser acompanhada com medicamentos específicos até o fim da amamentação, para evitar a transmissão do vírus para o filho”, diz Carolina. “Mulheres que são diagnosticadas precocemente e já iniciam o tratamento têm mais chances de ter um filho soronegativo”, explica.

Após 30 anos da descoberta da aids, expectativa de vida de pacientes se aproxima dos não infectados
Assim que uma pessoa é diagnosticada como soropositiva, mesmo sem que a aids se manifeste, é necessário iniciar imediatamente o tratamento com medicamentos antirretrovirais. Exames médicos regulares também são pedidos para o acompanhamento da doença, principalmente os exames de carga viral (onde é medida a quantidade de vírus HIV no corpo do paciente) e de contagem de linfócitos, para acompanhar o estado do sistema imune.

Nem todos os soropositivos aderem ao tratamento, que além de causar efeitos colaterais, requer disciplina e atenção para realizar exames periódicos e tomar os medicamentos em horário determinado. Caso sejam tomados incorretamente, os medicamentos podem tornar o vírus HIV mais resistente.

 Você sabia?
Existe um tipo de tratamento chamado Profilaxia Pós Exposição, ou PEP.  “Trata-se de uma prevenção em casos de exposição ao vírus HIV em até 72 horas. É recomendado para profissionais de saúde que sofreram algum tipo de acidente com objetos contaminados, em casos de estupros ou de rompimento da camisinha”, explica Carolina. Nestes casos, a pessoa exposta toma o coquetel de medicamentos antirretrovirais por 28 dias ininterruptos, sempre com acompanhamento médico.


A proliferação do vírus da aids: também uma questão cultural?

Por Elaine Lima, especialista em Sociologia

Saiba mais sobre a história da aids
Não é de hoje que bactérias e vírus ameaçam a vida humana. Durante toda a história, são grandes os exemplos de epidemias e pestes que causaram um número de mortes muitas vezes superior ao de guerras e desastres naturais. Acreditava-se, no entanto, que o desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias que marcou o mundo, principalmente a partir da segunda metade do século 20, pudesse controlar esses casos e evitar o surgimento de novos elementos epidemiológicos. O diagnóstico dos primeiros casos de aids, na década de 1980, colocou essa crença em xeque.

Atualmente, estima-se que existam cerca de 630 mil portadores do vírus da aids no Brasil. No mundo, esse número chega à casa dos 39, 4 milhões de pessoas. A situação é mais problemática quando olhamos para a África do Sul, país que possui aproximadamente 5,7 milhões de infectados, o que corresponde a quase 11% de sua população. Mas por que o caso africano é tão alarmante?

Fundo propõe integrar projetos públicos e privados contra Aids
Além das dificuldades financeiras do país, o descaso das autoridades e algumas crenças populares dificultaram por anos o combate à doença. Em 2006, por exemplo, Stephen Lewis, representante das Nações Unidas para HIV/aids na África, denunciou a negligência do governo africano e criticou a declaração da então ministra da saúde do país, Manto Tshabalala-Msimang, que considerava o limão e o alho elementos de combate à aids. Apesar das diversas informações científicas a esse respeito, há alguns anos, Thabo Mbeki, na ocasião presidente do país, fez outra afirmação polêmica e equivocada. Segundo ele, a doença tinha como causa a pobreza e a ‘falta de vitaminas’.

Somente quando a doença é tratada como caso de saúde pública é que os resultados são realmente significativos. O Brasil, por exemplo, é referência mundial no tratamento da aids. Pioneiro na distribuição gratuita do coquetel (conjunto de medicamentos) para pacientes com HIV, o país conseguiu aumentar consideravelmente a expectativa de vida dos soropositivos. De acordo com matéria do Uol, hoje ela se aproxima à de uma pessoa não infectada pelo HIV.

Tratamento gratuito atrai soropositivos ao Brasil
Já em países desenvolvidos, como a França e os Estados Unidos, por sua vez, além de pagar pelo atendimento, o coquetel de remédios que permite uma vida praticamente normal ao portador do vírus é pago e custa em média mais de 2.000 dólares por mês, segundo informações do IG (veja ao lado).

A Treatment Action Campaign (TAC), organização de apoio aos portadores de HIV da África do Sul, estima que em 2007 tenha ocorrido um quadro de 360 mil mortes causadas pela aids no país. Este número, similar aos produzidos em uma guerra, corresponde principalmente à população adulta, negra e pobre do país, o que tem gerado uma sociedade marcada por crianças e adolescentes órfãos. Segundo especialistas, a falta de informação, aliada ao escasso investimento público e à dificuldade de tocar em temas tabus para a cultura africana, como o uso de preservativos, contribui para a proliferação do vírus em escala gigantesca.

Fique por dentro
A epidemia de aids na África do Sul também está ligada à sua história política. Nas décadas de 1980 e 1990, enquanto grande parte dos países iniciava a luta contra a aids, o país lutava para acabar com o regime de segregação racial conhecido como Apartheid. Hoje, a equipe do governo, liderado pelo presidente Jacob Zuma, tem realizado diversas campanhas para alertar a população sobre as formas de evitar o contágio.




Tema: O vírus HIV, a aids e suas questões culturais e políticas

Disciplina(s): Biologia

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: Informações sobre as formas de contágio da Aids e reflexões sobre a situação atual da doença na África, fazem com que os alunos quebrem alguns dos antigos preconceitos e também pensem melhor em estratégias para lidar com uma doença tão grave para a saúde e tão polêmica culturalmente.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
áfrica, aids, brasil, camisinha, comportamento, coquetel, hiv, infecção, infectado, medicamento, prevenção, remédio, risco, sangue, Saúde, seringa, sexual, sul, transfusão, transmissão, vírus

Matérias Relacionadas

Compartilhe:
  Gostaria de acompanhar esta e outras notícias relacionadas!

Comente






restam 500 toques



 
Tags
  Corrupção no DF Pré-sal santos dumont independência do brasil lula amazônia militar francês espaço aéreo soberania nacional caça rafale efeito estufa gases poluentes quioto Aquecimento Global clima mudanças climáticas COP-15 distrito federal arruda  
Notícias relacionadas
Gel germicida reduz em até 54% o risco de contágio do HIV
Casos de Aids entre jovens devem aumentar, diz Ministério da Saúde
Michelle Obama chega a Botswana em última etapa de giro pela África
Pesquisas testam remédios de prevenção contra a Aids
Pílula reduz contágio de HIV em 73%
Saúde contempla 37 projetos de prevenção às DST, aids e hepatites virais
Europa propõe que pessoas com Aids assistam novos infectados



Proposta | Expediente | Fale conosco | Cadastre-se