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Literatura

Compilado sobre a África chega às escolas

08/11/11

África

Divulgação

Material da UFSCar resgata cultura e história do continente e oferece literatura de peso sobre raízes afro-brasileiras

A partir de março do ano que vem, as escolas da rede pública do país passarão a contar com novo material didático sobre história do continente africano. O material, produzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com base na coleção de oito volumes de História Geral da África, compilada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), é o primeiro desse tipo produzido no Brasil.

Simultaneamente, chegam às livrarias produções de autores afrodescendentes de séculos passados, como Luiz Gama, e também contemporâneos, como Paulo Lins (Cidade de Deus). A reportagem é do Estadão (veja aqui). A iniciativa atende à lei 10.639/2003, que determina o ensino da história e da cultura africanas aos estudantes. Conheça abaixo alguns autores brasileiros negros de ontem e de hoje e saiba mais sobre a influência das línguas africanas em nossa cultura.

O axé na Língua Portuguesa

Por Eliane da Silva, especialista em Cultura afro-brasileira

Você sabe o que foi a Diáspora?
Os africanos trazidos para o Brasil na condição de escravos foram literalmente arrancados de sua terra, de suas famílias, de sua história e de sua cultura. Mas os habitantes desse imenso e diverso território não deixaram sua cultura morrer por completo. Por meio dos griôs, (guardiães da memória e da história oral de um povo ou comunidade), os africanos influenciaram profundamente a nossa cultura pelas artes, pela culinária, pela língua.

 Muitas das contribuições de palavras existentes no léxico do português do Brasil são oriundas das línguas africanas de diferentes povos. Quer ver? Na frase: “Meu dengo, traga seu berimbau, a cuíca e a zabumba que o acarajé é por minha conta”, é possível identificarmos pelo menos cinco vocábulos oriundos das línguas africanas (as palavras em negrito).

Mas esses são apenas alguns exemplos da herança deixada pelos africanos para a nossa língua. Conheça outras palavras comuns do nosso dia a dia que remontam essa história:


Não se sabe ao todo sobre o total de línguas que os africanos trouxeram para o Brasil, mas estima-se que tenham aportado navios negreiros no país com africanos falantes de pelo menos 300 línguas distintas — na época, haviam por volta de 2 mil línguas e dialetos diferentes na  África.

A história, cultura e geografia do imenso continente africano
Com o tempo, os vocábulos trazidos pelos nossos antepassados foram “abrasileirados”, passando a fazer parte da nossa língua. Mas ainda há espaços em nossa cultura nos quais as línguas africanas são utilizadas como uma espécie de código entre grupos específicos. Nos cultos de candomblé, por exemplo, é comum encontrar tradições de países ou etnias, como Angola, Nagô, Jeje. Nos cultos de umbanda, que é uma religião brasileira formada por ideias dos cultos africanos, tradições indígenas, espiritismo e catolicismo, fala-se o Português brasileiro, mas com um vocabulário particular, direcionado às ‘entidades’.

Isso sem mencionar as comunidades negras mais tradicionais como os quilombos, em que há um predomínio, senão a totalidade, do uso das línguas africanas. 

*Axé - sm (ioruba àshe) Bras 1 Cada um dos objetos sagrados do orixá (pedras, ferros, recipientes etc.) que ficam no peji das casas de candomblé. 2 Alicerce mágico da casa do candomblé. interj Boa sorte! Felicidades! (dicionário Michaelis)


Grandes escritores afrodescendentes

Por Eliane da Silva, especialista em Cultura afro-brasileira

Além da língua, o Brasil conta com inúmeros exemplos de escritores que marcaram a literatura e a sociedade da época a qual estavam inseridos. Por meio das palavras, alguns autores deixaram marcas profundas em seu tempo ao denunciarem o absurdo da escravidão. Inevitavelmente, as obras desses literatos têm como principal característica a autorreferência e/ou lembranças de um passado absorvido pelo sofrimento e resquícios do tráfico negreiro.

Quem foi Luiz Gama
Um grande exemplo é Luiz Gama, o primeiro escritor brasileiro ao se afirmar publicamente um afrodescendente, contradizendo os padrões da época. Abolicionista, membro da Academia Paulista de Letras, por meio de suas palavras e atitudes o autor colaborou diretamente para o fim da escravidão. Entre suas obras está Primeiras trovas burlescas de Getulino, organização de Fernando Góes, em que se encontra a sátira "Quem sou eu?", mais conhecida como “Bodarrada”. Nela, Luiz Gama declara toda a sua indignação com a escravidão e a sociedade da época.

Abaixo você confere um trecho de Primeiras trovas burlescas de Getulino:

 

 
Machado de Assis
 Machado de Assis é outro ilustre das letras que fez história. Neto de escravizados alforriados, o autor realista escreveu muitas obras que tinham um viés na temática social, com a presença de personagens negros que na maioria das vezes apareciam como sujeitos engraçados, com problemas familiares e cheios de vícios. Esta pode ter sido uma forma machadiana de escrever sobre o afrodescendente sem ser censurado pelos leitores da época. Alguns pesquisadores, inclusive, acreditam que Machado usou vários pseudônimos para escrever nos jornais contra a escravidão.
Grandes personagens negros


Vale citar ainda Cruz e Sousa, principal poeta do movimento simbolista, Lima Barreto, autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, Carolina Maria de Jesus, escritora negra que ficou conhecida pela obra Quarto de despejo, além de Lino Guedes, o qual se ateve à temática da escravidão em suas escritas. 




Tema: Língua e Literatura Africana

Disciplina(s): Cultura afro-brasileira

Resumo: Aula que estimula os alunos a pesquisarem e conhecerem mais sobre termos provenientes de línguas africanas e que foram incorporados ao nosso léxico, além de introduzir a literatura afro-brasileira e escritores afrodescendentes.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
áfrica, afro-brasileiro, escola, Literatura, negro, rede pública

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Gabriela Veloso - www.feministafro.blogspot.com 17.11.2011

Acredito que textos como esses devem ser divulgados em todas as escolas brasileiras, pois são de ampla compreensão e traz um saber muitas vezes desconhecido, até mesmo no espaço acadêmico. Isso é saber o que é ser Brasileiro e o que é Cultura Negra no Brasil, pois muitas vezes o povo valoriza o que é de fora, mas nós temos o nosso potencial histórico e o Estado não faz questão de obedecer a Lei 10.639/03, então fica esse joga joga e ninguém aprende nada, nem mesmo os que se dizem muito sábios.



Ana Victoria - 15.11.2011

Tem que ser mais resumido.. ):



Fabiane Penedo - 12.11.2011

Muito bom o texto sobre origens africanas do nosso falar e escrever brasileiro! As indicações de pesquisa para os estudantes também foram ótimas. Incluiria aí uma visita ao Museu da Língua Portuguesa onde há espaço pras influências africanas no Brasil, sem espaço a mais ou a menos, do que aparece das influências francesas, inglesas (diferentemente do que um comercial de rádio recente quesimplesmente "esqueceu" das origens africanas na linguagem brasileira).



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