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Biologia

Danos neurológicos afetam atletas de futebol americano

08/10/13

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Debby Wong/Shutterstock

Após acordo judicial, Liga Nacional de Futebol Americano vai pagar cerca de R$ 1,8 bilhão para mais de 4,5 mil ex-jogadores

Edição: Samanta Dias

Quedas, pancadas e colisões fazem parte do cotidiano dos atletas de futebol americano. Mas a cultura de violência que envolve o esporte está sendo questionada em prol da saúde dos praticantes. Em setembro, a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, National Football League) entrou em acordo com ex-jogadores, hoje portadores de graves doenças neurológicas, e vai pagar a eles uma indenização bilionária. A preocupação, agora, é com os cerca de 3 milhões de crianças menores de 14 anos que se submetem desde cedo a pancadas na cabeça na prática do esporte. (Veja a reportagem completa.)

A seguir, conheça as consequências que pancadas repetitivas na cabeça podem causar e leia sobre os investimentos para a Copa do Mundo no Brasil em 2014. 

Sequelas de um esporte

Por Carolina Brandão, especialista em Biologia

Denver Post via Getty Images
Jogadores durante partida do Super Bowl em 1977
Muitos ex-jogadores de futebol americano da década de 1960 até 1980 hoje sofrem com problemas neurológicos de gravidade variada por consequência das repetidas pancadas sofridas na cabeça durante a prática do esporte. Até pouco tempo atrás, o risco de problemas neurológicos em atletas de esporte de contato não era amplamente divulgado, mas atualmente temos exemplos de alguns tipos de esporte que, dependendo da intensidade da prática, podem ser mais lesivos do que benéficos para a saúde.

Um estudo publicado na revista científica Neurology mostrou que a mortalidade por doenças neurodegenerativas entre os jogadores de futebol americano é quatro vezes maior em comparação com a população dos EUA. Frequentemente os jogadores sofrem concussões em campo, que é um tipo leve de traumatismo craniano, causando alterações neurológicas temporárias.

O termo ‘concussão cerebral’ designa a alteração de consciência temporária associada a um trauma no crânio. O que exatamente causa essa perda de consciência ainda não é claro, mas acredita-se que aconteça uma distorção das membranas celulares dos neurônios na hora da pancada. Essa distorção abre alguns canais dessa membrana, utilizados para a passagem dos neurotransmissores, e isso gera uma disfunção transitória cerebral. Algumas pessoas têm mutações genéticas que alteram esses canais, o que aumenta o risco de desenvolverem lesões cerebrais após traumas, mesmo que leves. Veja no infográfico abaixo casos famosos que atletas que hoje sofrem com sequelas por causa do esporte.

Bruna Tiso e Gisele Toledo
Clique no nome do atleta saiba mais sobre seu problema de saúde

As concussões podem causar desde uma pequena desorientação até amnésia e perda total de consciência (desmaio). Pessoas que sofrem concussões devem ficar em observação por pelo menos 12 horas, para que qualquer outro sintoma atípico possa ser detectado. Pancadas mais graves podem causar náuseas, vômitos, dores de cabeça, convulsão, perda de líquido cefalorraquiano pelo ouvido ou nariz, fratura no crânio e até hemorragia cerebral.

Após uma primeira concussão, o cérebro fica sensibilizado e, se essa mesma pessoa tem uma segunda
Alila Medical Media/Shutterstock
Comparação entre neurônio sadio e neurônio afetado pelo mal de Alzheimer
concussão em um intervalo pequeno (até uma semana depois da primeira), os riscos à saúde são maiores, podendo ocasionar epilepsia, paralisia motora, transtornos mentais e até morte.

Lutas como o boxe e o MMA também podem causar lesões cerebrais em seus praticantes. A encefalopatia traumática crônica, também conhecida como demência pugilística, é causada por golpes fortes e repetidos na cabeça e pode provocar alterações cognitivas e comportamentais. A doença pode se desenvolver a partir de um golpe forte ou apenas depois do final da carreira. O cérebro entra em um processo similar a uma inflamação e células específicas trabalham para reverter esse quadro. A ação dessas células cria um emaranhado fibrilar semelhante ao que ocorre com pacientes com mal de Alzheimer.

Vale lembrar que, principalmente no caso dos jogadores de futebol americano, os atletas que competem atualmente possuem um físico mais forte e ágil do que aqueles que competiam há 30 anos, portanto, teme-se que os problemas neurológicos se desenvolvam com maior frequência e gravidade quando os jogadores de hoje se aposentarem.

Os riscos do alto rendimento

A prática de um esporte faz bem para a saúde do corpo, porém, para atletas que visam a competições, os treinos passam a ser de alto rendimento e o risco de lesões aumenta. Atletas de alto rendimento são submetidos a grandes cargas de exercícios com muitas repetições, além de estarem constantemente em pressão psicológica. Esportes que contam com uma alta lucratividade investem muito em equipes multidisciplinares para que o atleta tenha amparo médico, fisioterapêutico e até psicológico, mas infelizmente a estrutura da equipe não elimina o risco de acidentes e lesões nos treinos e nas competições.

Copa de 2014: salvação econômica ou mazelas sociais?

Luis Vinicius Belizário, especialista em Sociologia

Agência Brasil
Manifestantes em frente ao estádio de Brasília, durante a Copa das Confederações, em 2013
Após 64 anos, o Brasil sediará novamente uma Copa do Mundo de Futebol. A notícia foi recebida com muita festa e, agora, na fase final do projeto, algumas questões ganharam mais força na mídia e em outras esferas do cotidiano. Qual será o real legado desta Copa? Será bom ou ruim para o Brasil?

Em um país desenvolvido, a imagem seria o principal foco: exibir-se como uma vitrine para o mundo e vender-se ainda melhor. Para um país emergente, além dessas questões está em jogo desenvolver, ampliar e sofisticar setores como segurança, educação, meio ambiente, saúde e infraestrutura, por exemplo.

Na questão brasileira, o estudo de caso mais apropriado seria o da África do Sul, justamente pelas similaridades socioeconômicas. Em um país onde mais 10% da população adulta está contaminada pelo vírus
Getty Images
Linha de metro inaugurada em junho 2010, na África do Sul
da imunodeficiência humana (HIV, human immunodeficiency virus), os investimentos na criação de centros hospitalares nas províncias dos locais do evento foram um ganho imenso, assim como as reformas dos aeroportos e a criação da primeira linha de metrô.

Já por aqui, o desafio está em ampliar ao máximo a malha metroviária; construir e fazer fluir corredores de ônibus; desenvolver sofisticados sistemas de segurança e vigilância, assim como treinamentos apropriados para as forças policiais; ampliar a capacidade e modernizar os aeroportos; e, acima de tudo, investir na geração de energia e telecomunicação. Ou seja, a nossa infraestrutura está “doente”.

Ao contrário da edição anterior, em 2010, na África do Sul, o legado desejado é muito mais local do que para todo o continente, justamente pela própria dimensão continental de nosso país.

 A Federação Internacional de Futebol (FIFA, Fédération Internationale de Football Association) atenta para os impactos que diretamente atinjam o evento e não se incomoda com as regiões que não estão no circuito dos jogos. Essa preocupação e estratégia cabem ao governo local que, de maneira inteligente, deverá criar formas de estender os benefícios estruturais deixados pela competição para essas outras regiões.
Esses são os quesitos emergenciais, mas não os únicos. Vive-se no Brasil o fenômeno da ascensão da “classe C”, uma imensa massa de indivíduos árdua por consumir tudo aquilo que a sociedade produz em grande escala, sejam produtos, serviços ou cultura. O país ainda não tem estrutura suficiente para acolher essa população, mesmo que ela seja a alternativa do momento para afastar a crise econômica.

A aplicação disso e o cumprimento dos compromissos firmados
Conheça as exigências ambientais que a FIFA faz aos países sede de Copas do Mundo
com a Federação não só elevariam internacionalmente a imagem brasileira como também quebrariam muitos paradigmas e estereótipos diretamente vinculados a nossa imagem (o que geraria mais investimentos, turismo etc.), mas para que tudo isso se concretize, e para que um legado de fato fique para os cidadãos comuns, será necessário uma “cirúrgica” estratégia política do governo para evitar danos e sequelas socioeconômicas no futuro.


Tema: Sistema Nervoso Central e suas doenças

Disciplina(s): Biologia

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: É fundamental compreender o funcionamento do sistema nervoso central para entender como as doenças neurológicas agem no cérebro dos pacientes. Aproveite também a aula para diferenciar doença neurológica comum de doença neurodegenerativa.



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Tags da matéria
Futebol, Saúde

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