Plano de Aula | Multimídia | Glossário

Olá Visitante 

Copa do Mundo 2014

O preço da festa

19/07/10

Copa 2014

Após o fim do último mundial, é hora de preparar o terreno para a próxima Copa do Mundo, que será em casa. Nesse sentido, os meios de comunicação vêm apontando que grande parte das obras está atrasada enquanto outras sequer começaram e já têm seus gastos duplicados

Milena Oliveira

Já faz mais de três anos que o Brasil, candidato único, foi definido como sede da próxima Copa do Mundo, em 2014. Isso significa que o país se comprometeu a, em oito anos, alçar a infraestrutura local ao nível exigido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) para a realização de um evento desta magnitude.

Tempo suficiente para que as autoridades públicas locais e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) já tivessem iniciado as obras necessárias. Mas não é o que vem sendo noticiado na imprensa, que aponta atrasos nos cronogramas e um constante aumento nos orçamentos previstos.

Antes mesmo de a maior parte das obras dos estádios começarem, os gastos já saltaram de 2 bilhões de reais para 5,3 bilhões – valor inicialmente estimado pela CBF. Segundo a entidade, o custo do evento todo está estimado em 22 bilhões de reais, entre transporte e infraestrutura, que se concentrarão nas 12 cidades que devem receber os jogos (gastos com segurança não estão previstos).

E mais, o capital privado, que investiria em ações pontuais como construção e reforma de estádios, já tirou o corpo fora. E assim cada vez mais o orçamento público é onerado. Hoje já se cogita utilizar recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para cobrir as despesas excedentes.

Além disso, a lei de responsabilidade fiscal, que é uma garantia do contribuinte, pois controla a gestão pública dos gastos, está prestes a ser flexibilizada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar um decreto hoje (19/07) autorizando as 12 cidades-sede a ultrapassarem os limites de gastos pré-determinados pela lei, por meio de um subterfúgio da legislação que prevê períodos de exceção.

E se com tudo isso as obras ainda atrasarem, o governo federal pretende flexibilizar também as exigências nas licitações das obras, o que compromete o controle do seu orçamento. Nos jogos Pan-Americanos, que aconteceram no Rio de Janeiro em 2007, essa flexibilização permitiu que a previsão inicial de custo do evento, cotado em 414 milhões de reais, saltasse para 3,7 bilhões.

A taça é nossa?

Estudos mostram que estouros nos orçamentos são comuns para realizar Copa
Ainda que o futebol seja uma paixão nacional, a necessidade de investimentos milionários por parte do governo em contrapartida à falta de sustentabilidade dos estádios após a Copa do Mundo, constatada pelas últimas experiências – como os jogos do Pan – tem sido um dos argumentos usados na hora de questionar as vantagens de sediar um evento como esse.

Estudos independentes, realizados por universidades dos países-sede, têm mostrado que o impacto econômico nos anfitriões da Copa do Mundo não é tão positivo como a Fifa e governos das sedes sugerem (veja na matéria acima). Ao contrário: é comum que se estoure os gastos e o evento não atraia tantos turistas quanto se supunha até pouco tempo.

Após a Copa, estádios da África do Sul devem dar prejuízo
Na África do Sul, especialistas já esperam o prejuízo com os estádios, que consumiram muito dinheiro em sua construção, mas que não darão retorno financeiro sequer paracobrir as suas despesas (veja matéria ao lado).
Sete estádios da Copa podem virar "elefantes brancos", diz estudo

Segundo análise de viabilidade econômica da consultoria Crowe Horwath RCS, o Brasil também corre o mesmo risco, como mostra matéria "Sete estádios da Copa podem virar elefantes brancos, diz estudo". A pesquisa revelou que pelo menos cinco dos nove estádios públicos – os de Brasília, Recife, Manaus, Natal e Cuiabá – tendem a não ser sustentáveis após a Copa. Outro exemplo é Portugal. O país, sede da Eurocopa há seis anos, ainda sofre para pagar a conta dos estádios construídos ou reformados especialmente para o torneio.

A regra é clara

Para sediar uma Copa do Mundo, é necessário aceitar as exigências da Fifa. Afinal, o torneio atrai pessoas do mundo todo e só com uma infraestrutura adequada é possível atender à demanda. São esperados 600 mil turistas no Brasil, em 2014, por conta do mundial - na África do Sul foram mais de 1 milhão.

As companhias aéreas devem garantir voos suficientes entre as 12 cidades-sede do mundial; essas, por sua vez, precisam ainda preparar aeroportos, vias expressas, linha de metrô, corredores de ônibus, hospitais e hotéis para receber os visitantes que irão desembarcar em suas terras. Por isso a corrida contra o tempo.

Responsabilidade de quem


Fechar as contas públicas sem criar rombos no orçamento e, por consequência, ônus ao contribuinte, já é uma tarefa no cotidiano da gestão pública. Imagine em situações excepcionais, como receber o maior evento esportivo do mundo.

Justamente para garantir gestões públicas eficientes, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) sancionou, em 2000, a Lei Complementar nº 101, mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ela determina normas e limites ao gestor com vistas de aumentar a responsabilidade dos governantes sobre a gestão fiscal dos recursos públicos.

Lula sanciona isenção de impostos para Fifa e parceiros
Nesse sentido, o decreto que deverá ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva flexibilizando os gastos das cidades-sede para cumprir o cronograma de obras do mundial é preocupante. Com ele, as cidades terão aval federal para assumirem dívidas duas vezes maiores do que toda a sua arrecadação, no momento em que a LRF limita o gasto a 60% do total arrecadado.

Isso porque, em maio, Lula já havia sancionado uma lei de isenção de impostos para a Fifa no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015. Estima-se que a Fifa e sua parceiras deixem de pagar cerca de 900 milhões de reais em impostos, como mostra a matéria ao lado.

Veja na íntegra LRF

Estamos de olho!


Mas, como acontece nas sociedades democráticas, atualmente temos mais órgãos de fiscalização. O TCU (Tribunal de Contas da União) é um exemplo e monitorará os riscos relacionados à realização do mundial.
Nesse sentido, o TCU aguarda, para o próximo mês, o Ministério do Esporte, que coordena o Comitê Gestor da Copa do Mundo FIFA 2014, informações sobre o andamento das obras e sobre quais as providências serão adotadas.
Copa 2014: estruturas aeroportuária e hoteleira precisam de investimentos

Em um contexto marcado por atrasos e indefinições, as informações devem ajudar o governo federal a tomar providências no sentido de contribuir para que os prazos do cronograma da Fifa sejam cumpridos.

A lista de obras necessárias para o mundial é grande. Uma das situações mais graves refere-se aos aeroportos. Segundo relatório da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), 9 das 14 estruturas que serão utilizadas durante a Copa do Mundo de 2014 operam no limite em horários de pico.

Conheça os órgãos que estarão de olho no nosso dinheiro




Edição: Carolina Lopes

Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
2014, áfrica, atraso, bndes, cnf, copa, Copa do Mundo, estádios, fifa, futebol, lrf, lula, morumbi, mundial, obras, pan, responsabilidade fiscal, sul, taça, tcu, torneio, tribunal de contas da união

Matérias Relacionadas

Compartilhe:
  Gostaria de acompanhar esta e outras notícias relacionadas!

Comente






restam 500 toques



 
Tags
  Corrupção no DF Pré-sal santos dumont independência do brasil lula amazônia militar francês espaço aéreo soberania nacional caça rafale efeito estufa gases poluentes quioto Aquecimento Global clima mudanças climáticas COP-15 distrito federal arruda  
Notícias relacionadas
Estádios que não dão lucro devem ser demolidos
Fifa alerta que falta tudo ao Brasil para Copa de 2014
Preocupações com a Copa de 2014 são 'descabidas', diz Lula
Incompleto, orçamento da Copa no Brasil já é mais que o dobro da África do Sul
CBF oficializa exclusão do Morumbi do projeto da Copa de 2014
Construções sustentáveis para a Copa (Áudio)



Proposta | Expediente | Fale conosco | Cadastre-se