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Pré-sal

O que está em jogo na exploração do petróleo

10/03/10

Novo impasse na divisão dos recursos da exploração de águas profundas_

Emenda aprovada na Câmara opõe estados e intensifica discussão sobre a divisão das riquezas nacionais. Novo ingrediente no debate dificulta votação do marco regulatório do insumo e pode empurrar discussão para depois das eleições

Entenda a briga entre os estados da Federação quanto à divisão de royalties da exploração de águas profundas e saiba o que muda com a Emenda Ibsen, recém-aprovada na Câmara. Impasse influi nas eleições deste ano

Carolina Lopes e Milena Oliveira

A briga pela divisão da arrecadação com os futuros dividendos da extração do pré-sal teve novo desdobramento hoje (10/03) com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da chamada Emenda Ibsen. Proposta pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RN) e Humberto Souto (PPS-MG), ela inclui no debate a distribuição igualitária aos estados e municípios de royalties com a exploração do petróleo. Além disso, a medida expande para os campos não só o pré-sal, mas também o pós-sal (já em operação).
A emenda contraria a proposta original do Executivo, de partilha da produção e outras medidas de interesse da União, na qual os estados produtores receberiam a maior parcela – caso do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo –, como compensação por gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes ambientais. Só o Rio de Janeiro deixaria de receber cerca de R$ 7 bilhões por ano; por outro lado, parlamentares defendem que o momento é oportuno para a correção das desigualdades regionais.
O presidente Luis Inácio Lula da Silva, que ainda pode vetar a emenda Ibsen, incentiva os parlamentares a encontrarem uma solução. O objetivo é não se ver obrigado a tomar uma decisão que irá contrariar interesses regionais e, consequentemente, desgastar o seu governo em ano de eleição. Outro motivo é garantir a votação dos projetos do pré-sal antes do início da campanha eleitoral.

Atualmente tramitam, em regime de urgência no Senado, quatro Projetos de Lei do Governo Federal que abordam a exploração de petróleo na camada pré-sal; entre eles, a Emenda Ibsen.

Ouro negro

O petróleo, também conhecido como ouro negro por sua importância econômica, é um bem extremamente precioso para a indústria, pois além de ser matéria-prima para uma infinidade de produtos industrializados, é também o próprio combustível do desenvolvimento industrial.

Porém, o ouro negro é uma fonte de energia não renovável, leva milênios para se formar, por meio de variáveis que o homem não controla. Agrave-se ainda o fato de que poucos países do globo possuem reservas de petróleo, tornando o recurso natural uma valiosa moeda no contexto geopolítico.

Entenda o pré-sal

Por isso, a descoberta de petróleo em águas profundas, o pré-sal, coloca o Brasil em novos patamares na configuração mundial. Já se iniciaram as articulações políticas para a inclusão do Brasil entre os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Ainda não se tem informações sobre a quantidade exata das reservas de petróleo na camada pré-sal, mas sabe-se que o volume é gigantesco: só no campo de Tupi, na bacia de Santos, no estado do Rio de Janeiro, a quantidade de barris de petróleo é estimada entre 5 e 8 bilhões. É de olho nesse potencial que os estados não produtores estão exigindo a sua fatia no bolo.

Força motriz do progresso

Nabucodonosor utilizou betume (forma pastosa do petróleo) na construção dos famosos Jardins Suspensos da Babilônia; os egípcios, para embalsamar os mortos e na construção das pirâmides.

Na China, aproximadamente em 200 a.C., o petróleo foi encontrado na escavação de poços de sal. Em meados do século XIX, a necessidade de combustível para iluminação levou ao desenvolvimento da indústria do petróleo.

Primeiros sinais de escassez

Teste seus conhecimentos sobre o petróleo


A década de 1960 foi marcada pelo crescimento das principais economias do mundo, o que ajudou a economia brasileira. Mas esse período chegou ao fim em 1973, com a “crise do petróleo”, quando os principais produtores se organizaram e impuseram preços mais altos para o combustível. O preço do barril saltou de 2,5 para 10,5 dólares.

Todo o planeta foi afetado pela mudança. Os países importadores de petróleo precisaram encontrar alternativas para economizar combustível; o Brasil despontou com o Programa Nacional do Álcool (Pró-álcool). Os países produtores, por sua vez, enfrentaram problemas no investimento das montanhas de dinheiro que passaram a receber de uma hora para outra.

E se o petróleo acabar?


Se o petróleo acabar de forma súbita, antes que substitutos para seus usos sejam desenvolvidos, a sociedade sofrerá severas restrições econômicas e uma forte crise energética se abaterá sobre o planeta.

Descubra quais fontes de energia são renováveis

Outras fontes de energia, como a solar e nuclear, bem como outros combustíveis, como o álcool e o gás natural, seriam utilizados. Quanto aos produtos industrializados dependentes de petróleo, podemos supor que muitos materiais, como diversos tipos de plástico, não seriam mais produzidos, e uma mudança radical em nossos hábitos seria imposta de forma abrupta.

Especialistas acreditam que essa configuração é a combinação perfeita para provocar ainda mais guerras decorrentes de possíveis crises econômicas, iniciando uma nova era de intolerância e eliminação de povos, muito mais profunda do que aquelas já presenciadas pela humanidade.


Desastres ambientais


Uma das principais causas de poluição do mar são os vazamentos de petróleo dos navios. O material espalha-se pela superfície da água, formando uma camada que impede as trocas gasosas e a passagem da luz, levando muitos anos para ser dissipado.

O resultado disso são sérios desequilíbrios ambientais, uma vez que os organismos do fitoplâncton (algas) morrem, muitos peixes ficam com as brânquias obstruídas, sem poder respirar, e as aves marinhas, com as penas lambuzadas de petróleo, perdem a capacidade de voar.

Em 1989, um navio derramou 34 mil toneladas de petróleo no mar do Alasca e até hoje o ecossistema não se recuperou. Em janeiro de 2002, um duto da Refinaria Duque de Caxias (Petrobras) deixou vazar 1,29 tonelada de petróleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e as consequências são intermináveis.



Por que há uma chama que queima constantemente no alto de uma torre nas refinarias de petróleo?


Na torre de fracionamento de petróleo, os diversos componentes do petróleo são separados por destilação fracionada.


Na parte inferior da torre, são recolhidas as frações ricas em compostos de maior ponto de ebulição e, nas partes superiores, são recolhidas as frações ricas em compostos muito voláteis e gasosos. Dentre estes, aqueles que podem ser aproveitados são recolhidos, e os demais são queimados, produzindo a chama.


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Tags da matéria
águas profundas, Eleições 2010, emenda ibsen, Energia, petrobras, petróleo, Pré-sal, royalties

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