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Incêndio

Os efeitos no organismo humano

21/03/13

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RazoomGame/Shutterstock

Inalação de gases tóxicos, queimaduras internas e externas podem levar à morte

Edição: Ana Loiola

Em janeiro, a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, parou o Brasil. Com toda a repercussão, muito se falou da causa da morte das vítimas do incêndio. Já os primeiros laudos de necropsia indicaram que a causa foi asfixia por cianeto e monóxido de carbono que, reagindo com o sangue das vitimas, formou a carboxiemoglobina. (Veja matéria completa.)

Abaixo, saiba mais sobre os efeitos de um incêndio no organismo humano, entenda o que são os gases tóxicos que levaram as vítimas de Santa Maria à morte e conheça o uso do cianeto em outros segmentos.

Os efeitos dos gases tóxicos e das queimaduras

Por Carolina Brandão, especialista em Biologia

Tatiana Belova/Shutterstock
Bombeiros usam equipamentos adequados para evitar intoxicação durante combate a incêndio
Em um incêndio existem dois riscos para as vítimas: a inalação de gases tóxicos e as queimaduras, que podem ser externas (de pele) ou internas (causadas por inalação de fumaça quente).

Um dos gases produzidos durante o incêndio é o monóxido de carbono (CO). É um gás que ocorre normalmente no ambiente, porém em quantidades reduzidas. Quando sua concentração se eleva, é um perigo para o sistema respiratório humano. O monóxido de carbono tem grande afinidade com a hemoglobina, que chega a ser mais de 100 vezes maior do que a afinidade do oxigênio por ela. Quando esse gás se liga à hemoglobina, ele não se desprende mais, inutilizando a hemoglobina para outra troca gasosa.

A falta de oxigenação devido à inutilização das hemoglobinas faz com que a pessoa perca a consciência, desmaiando. Se a pessoa não for socorrida e levada para um local com oxigenação, ela pode morrer em poucos minutos. Quando alguém que perde os sentidos devido a sufocamento por monóxido de carbono sobrevive, existem grandes chances de haver sequela neurológica, dependendo do tempo que o cérebro dela ficou sem oxigênio. O nome dessa condição é encefalopatia anóxica.

Infográfico - entenda como é a morte por asfixia
Outros gases tóxicos além do monóxido de carbono podem causar a morte por asfixia, como o cianeto. Quando ocorre a inalação de qualquer gás tóxico, as mucosas do sistema respiratório se irritam e incham, dificultando a respiração. O cianeto, por exemplo, bloqueia a cadeia respiratória nas células, ligando-se em um citocromo e interrompendo o ciclo de Krebs. Algumas enzimas são liberadas nos alvéolos pulmonares na tentativa de descontaminar as células atingidas pelos gases tóxicos. Essas enzimas podem romper a parede dos alvéolos, fazendo com que o pulmão se encha de sangue e provocando asfixia. Se a pessoa não for socorrida pouco tempo depois de entrar em asfixia, ela pode ter uma convulsão e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória em poucos minutos.

Veja como a fumaça pode matar
Quando uma pessoa inala fumaça quente, os brônquios dela se fecham e a sensação é próxima de uma crise de bronquite. Essa fumaça quente queima os órgãos internos, provocando lesões na traqueia, nos brônquios e nos alvéolos. Tais lesões provocam falta de ar e dor, por atingir os nervos situados na traqueia. No caso de sobreviventes, as lesões causadas por queimaduras internas cicatrizam, mas podem causar problemas crônicos semelhantes aos de um fumante.

Vítimas de queimaduras tanto internas quanto externas ficam muito suscetíveis a infecções, além de também perderem muitos fluídos, o que causa desidratação. Quando uma pessoa inala muita fumaça, os pulmões ficam com muitos resíduos sólidos resultantes das fuligens, dificultando a respiração. Em situações de queimaduras externas, o paciente fica vulnerável a resfriados, podendo chegar até a um quadro de hipotermia ou choque, por ter perdido muita água.

O que é o cianeto?

Thamires Balog de Mattos, especialista em Química

Fancy Studio/Shutterstock
Espuma de poliuretano
Muito se falou sobre a espuma de poliuretano que foi utilizada inadequadamente  no revestimento acústico da boate Kiss. Ela é um polímero formado a partir de derivados do petróleo. Composta por carbono, hidrogênio e nitrogênio, essa espuma, quando queimada, libera toxinas prejudiciais ao ambiente e à saúde humana, entre elas monóxido de carbono, cianeto de hidrogênio e dioxinas. Acredita-se que grande parte das vítimas do incêndio morreu devido à inalação do cianeto de hidrogênio, também chamado de ácido cianídrico.

O cianeto é um íon formado por um átomo de carbono e um átomo de nitrogênio (C≡N-). Entre os compostos de cianeto, o ácido cianídrico (HCN) é o mais perigoso, pois é altamente tóxico e pode matar em até três minutos quando absorvido após inalação, exposição oral ou dérmica. Por ter grande afinidade com metais, o cianeto se combina com o ferro presente na hemoglobina e bloqueia a capacidade do sangue de transportar oxigênio. O sistema nervoso central é um dos primeiros alvos da toxicidade do cianeto devido a sua grande necessidade de energia aeróbia.

Vídeo mostra a diferença entre a queima da espuma de poliuretano e a adequada para revestimento acústico
As proporções de cianeto aceitáveis no sangue são de 10 mg/dL. Muitas das vítimas do incidente em Santa Maria, na tentativa de ajudar outras pessoas, entraram e saíram da boate por diversas vezes. Tentando impedir a inalação de fuligem, utilizaram camisetas molhadas, o que não os protegia do ácido cianídrico.

O ácido cianídrico mata imediatamente se inalado numa concentração superior a 300 mg/m³ de ar. Foram encontradas no sangue das vítimas concentrações 20 vezes maiores do que o suportável por um adulto saudável. O medicamento usado para combater os efeitos do cianeto nos sobreviventes da tragédia foi a hidroxicobalamina. Esta se combina ao cianeto e dá origem à cianocobalamina ou vitamina B12.

 O cianeto foi muito utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, era uma alternativa de suicídio rápido em situações de emergência. Era também o princípio ativo do “Ciclone B”, gás utilizado nos campos de extermínio alemães. Foi utilizado na aplicação de pena de morte na prisão de San Quentin, na Califórnia (EUA).

Apesar da sua toxicidade, o cianeto é utilizado em diversos segmentos: na extração e refino de metais preciosos, em metalúrgicas, na galvanoplastia, em revelações fotográficas, na síntese de produtos químicos, em aditivos especiais, e na produção de plásticos e colas instantâneas. Ele também pode ser encontrado, em pequenas doses, em algumas espécies de mandioca e em sementes de frutas como maçã, cereja, pêssego e em amêndoas.

Tema: Segurança contra incêndio

Disciplina(s): Língua Portuguesa, Biologia

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: Estudando o caso de Santa Maria (RS), os alunos poderão saber mais sobre a utilização de equipamentos de segurança contra incêndio e sua utilização correta. É importante que os alunos relacionem as informações impressas nesses aparelhos, como os extintores de incêndio.


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