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Futebol

Preconceito em campo

09/04/13

Racismo

Helder Almeida/Shutterstock

Episódios de racismo no futebol fizeram com que a ONU e a Fifa se unissem contra a discriminação de jogadores

Não foi a primeira vez que torcedores tentaram desestabilizar jogadores do time adversário com atitudes racistas. Em 2011, por exemplo, o brasileiro Roberto Carlos abandonou o jogo de seu time, o russo Anzhi Makhachkala, após torcedores do Krylia Sovetov atirarem uma banana no gramado.

Agora foi a vez de Kevin-Prince Boateng , alemão de ascendência ganesa (veja aqui matéria completa). Por sua postura antirracista o jogador foi convidado pela ONU e pela Fifa a ser um dos nomes da luta contra o racismo.

Abaixo, você acompanha um pouco da história que envolveu o jogador, conhece algumas campanhas que os times criaram para combater a discriminação e fica por dentro dos esforços da ONU em relação a esse tema. 

Cartão vermelho para o racismo

Gustavo Fagundes, especialista em História

Boateng: "Podemos vencer o racismo"
No dia 21 de
Maxisport/Shutterstock

Kevin-Prince Boateng: jogador entrou
 na luta contra o preconceito racial
março de 2013, Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, ocorreu um marco para a luta contra o racismo. A Organização das Nações Unidas (ONU) convidou o jogador Kevin-Prince Boateng para participar da 22ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. Este ano, durante um amistoso, Boateng e demais jogadores do Milan abandonaram o campo após insultos racistas por parte dos torcedores.

Pode parecer algo simples, mas a união entre a ONU e a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) pode trazer grandes resultados na luta contra o racismo, afinal, o futebol é um dos esportes mais praticados em todo o mundo e suas mensagens têm grande alcance.

Infelizmente, o caso de Boateng é somente mais um dentre tantos outros já presenciados no esporte. No entanto, o preconceito não está restrito ao mundo do futebol; o emissário da FIFA, Federico Addiechi, reforça a necessidade de acabar com o racismo, mas chama a atenção para a necessidade de integração entre todos os setores sociais: “O futebol é um reflexo da sociedade e reflete tanto as suas virtudes quanto os seus defeitos”, afirma.

Krivosheev Vitaly/Shutterstock

Bola dentro: ONU e Fifa se uniram contra o racismo
As práticas racistas ocorrem de modo aberto em alguns locais, de modo velado em outros, mas o que se percebe é que se trata de um problema global. Por isso, a ONU propôs uma ação conjunta de seus países membros: a Década do Afrodescendente. O projeto pretende abrir a discussão sobre racismo para, então, elaborar planos de ação para combater a discriminação.

Algumas ligas e times têm feito campanhas próprias contra o racismo, casos da Major League Soccer e a campanha Don’t cross the line, estrelada por Thierry Henry; a idealizada pelo time Maccabi Tel Aviv contra o racismo de sua própria torcida; a Put Racism Offside, do Barcelona em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre outras.

O futebol pode ser um elo com a sociedade na luta contra o racismo, no entanto, não podemos esquecer que a solução desse problema passa pela educação para a diversidade, por políticas e leis mais rígidas.

Fique sabendo

O Artigo 3 do estatuto da Fifa diz: "A discriminação de qualquer tipo contra um país, pessoa ou grupo de pessoas por causa de origem étnica, gênero, idioma, religião, política ou qualquer outro motivo é estritamente proibida e passível de punição por suspensão ou expulsão." 

A luta da ONU contra o racismo

Luis Vinicius Belizário, especialista em Cultura Afro-Indígena

Suazo: "A tolerância nos faz crescer"
A iniciativa da ONU junto à Boateng é uma tentativa de mobilizar os torcedores na luta contra o racismo. Esse ato criminoso, que acontece de várias maneiras no mundo inteiro, está ligado a vários fatores, tais como a manutenção de poder ou privilégios, o controle ou a dominação de determinados grupos e o desconhecimento sobre o outro, por exemplo. Quando esses fatores estão agregados a situações de recessão ou sobrevivência, a situação se agrava e torna-se ainda mais complexa.

iStockphoto/Thinkstock

Mesmo após elevada ascensão econômica, jogadores
não deixam de enfrentar discriminação racial
A crise econômica europeia, atrelada ao crescimento dos grupos de imigrantes nesses países, fornece aos partidos de direita e de extrema direita uma equivocada e simplista alternativa: depositar nos imigrantes e seus descendentes a culpa pelas mazelas das cíclicas crises estruturais do capitalismo. No entanto, essa justificativa não convence, na medida em que manifestações racistas também ocorrem em países emergentes, como Rússia e Brasil.

Os ataques racistas promovidos nos gramados também desmentem a máxima de que a ascensão socioeconômica elimina os preconceitos raciais. Governos que tentaram fugir da complexidade do combate ao racismo sempre se apropriaram do discurso de que bastava a melhora econômica para que tudo estivesse resolvido. Se fosse assim, esses milionários atletas jamais sofreriam atos de racismo ou de discriminação pela cor de sua pele, nacionalidade ou religião, por exemplo.

ONU quer usar o poder do desporto para acabar com o racismo
A ONU acredita que o futebol é um esporte capaz de movimentar as massas e unificar nações. Nesse sentido, pretende transmitir uma mensagem capaz de tocar de forma mais direta a consciência dos indivíduos. No debate Racismo e esporte, realizado na sede europeia da instituição em Genebra, ficou claro que o objetivo final é que as possíveis soluções encontradas se reproduzam em todos os países e em todas as esferas da vida; afinal, nada mais vexatório do que em pleno século XXI sermos capazes de manipular geneticamente seres vivos e ainda não sermos capazes de conviver respeitando o outro e valorizando a diversidade.

 Você sabia?

Em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, África do Sul, houve um massacre: dezenas de participantes de uma manifestação pacífica contra uma medida estabelecida pelo apartheid foram mortos e centenas ficaram feridos. Esse acontecimento ficou conhecido como o massacre de Sharpeville. Após a tragédia, a ONU instituiu a data do conflito como o Dia Internacional do Luta Contra a Discriminação Racial.


Tema: A luta da ONU contra o racismo

Disciplina(s): Cultura afro-brasileira, História

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resumo: Os avanços tecnológicos, o crescimento econômico e a ampliação dos mercados do mundo globalizado não impediram a expansão e a manifestação do racismo. Para combatê-lo, a ONU aposta no futebol, uma força que, para a organização, é capaz de mudar opiniões, educar e gerar novos valores.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
cor, discriminação, etnia, fifa, Futebol, jogador, onu, Preconceito, raça, racial, racismo

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