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Saúde

Riscos não revelados

22/05/13

Riscos

KidStock/gettyimages

Recentes episódios de contaminação de produtos alimentícios alertam a Anvisa sobre a necessidade de novas políticas de defesa do consumidor

Não foi a primeira vez que consumidores foram lesados por falhas de processo não comunicadas pelas empresas responsáveis. De olho nisso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu criar regras para o recall de alimentos (veja aqui).

Abaixo, especialistas explicam o que isso significa, quais são as consequências da ingestão de soda cáustica – encontrada nas embalagens do suco Ades – e o que diz o Código de defesa do consumidor sobre a questão.

O caso Ades

Carolina Brandão, especialista em Biologia

Soda cáustica diluída provoca queimadura superficial, diz médico
Em março de 2013, após apresentarem queimaduras labiais depois de ingerir o suco de maçã Ades, consumidores denunciaram a marca. A Unilever, empresa responsável pelo produto, comunicou que houve um problema no tanque de alimentação da linha de envase causado por falha humana. A máquina havia começado um ciclo de autolimpeza, mas um funcionário acionou o envase e as caixas de suco receberam uma solução de limpeza, constituída por água e soda cáustica (hidróxido de sódio 2,5%).

Caso Ades causa preocupação em fábricas de pequenas empresas
A soda cáustica é uma substância com grande solubilidade em água e álcool e possui pH básico, chegando de 11 a 14, dependendo de sua concentração. Quando essa substância entra em contato com o tecido, o destrói rapidamente devido ao calor liberado pelas reações exotérmicas, que ocorrem com alguns produtos da célula como a água, proteínas e gorduras. O calor liberado dessas reações pode chegar a 100 °C, o que causa a morte das células e, consequentemente, a necrose do tecido.

As consequências da ingestão de uma solução de soda cáustica em forma líquida são queimaduras nos lábios, língua e garganta, não muito graves, podendo deixar feridas como aftas. No entanto, dependendo do tempo de exposição do tecido à substância e de sua própria concentração, a ingestão de soda cáustica pode causar refluxo ainda no esôfago e também queimaduras na mucosa do estômago.

Hemera/Thinkstock

Muitas empresas falham na hora de
informar o consumidor sobre problemas
em um produto ou lote
O caso Ades não foi o primeiro do tipo. Em setembro de 2011, mais de 30 pessoas tiveram queimaduras causadas por água sanitária envazada junto ao achocolatado Toddynho, em uma falha muito semelhante à dos sucos Ades. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão ligado ao Ministério da Saúde brasileiro que atua em todos os serviços e produtos que podem afetar a saúde da população. A Anvisa trabalha fiscalizando e controlando ações que garantam a vigilância sanitária de alimentos, medicamentos e bebidas em geral. Porém, em casos como o do suco Ades, ficou claro que é necessário que a agência tenha um mecanismo para que as empresas, quando tenham problemas com alguns de seus lotes, possam comunicar a população antes que os acidentes aconteçam.

Direitos do consumidor

Luis Vinicius Belizário, especialista em Sociologia

Ambrophoto/Shutterstock

Código de Defesa do Consumidor entende que no
 relacionamento com um fornecedor de produtos e serviços
o consumidor é a parte vulnerável
O mais recente caso de contaminação de alimentos, envolvendo um produto da Unilever, levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a anunciar que criará regras para recall de alimentos.

De acordo com o capítulo II do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, o Estado reconhece que perante o fornecedor de produtos ou serviços, o consumidor é a parte vulnerável do relacionamento.  Por isso, merece efetivamente toda a proteção e amparo legal. O ocorrido com os sucos Ades foi contra o Artigo 8º do capítulo IV do mesmo código. Ele afirma que todo produto ou serviço colocado no mercado não pode acarretar riscos à saúde ou segurança dos consumidores e que cabe ao fornecedor, em qualquer hipótese, fornecer as informações adequadas e necessárias a respeito.

Chris Ryan/Gettyimages

Falhas em produtos podem acarretar
serveras punições legais às empresas
O termo recall vem do inglês e quer dizer “chamar de volta”. Assim, é usado no sentido de recolher um produto, um lote ou toda uma linha de mercadoria. É muito comum ouvirmos esse termo quando se trata da indústria automobilística, mas no âmbito do segmento alimentício isso ainda não é tão comum.

O recall ocorre quando se descobre algum problema relacionado à segurança de um produto. O objetivo principal é limitar a responsabilidade da corporação pela negligência do ocorrido, já que a falha de um produto ou lote pode acarretar severas punições legais à empresa. Para evitar que a imagem da empresa seja maculada e que uma publicidade negativa passe a vigorar no mercado, o recall é a saída mais viável.

Apesar do alto custo envolvendo a substituição dos produtos recolhidos e o pagamento pelos danos causados aos consumidores, o recall faz parte de uma estratégia de mercado que visa manter a boa imagem da empresa e fidelizar ou resgatar a confiança do consumidor.



Tema: Vigilância sanitária

Disciplina(s): Biologia, Química

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: Os alunos poderão construir de forma significativa o conceito de vigilância sanitária, retomando a falsa ideia de que é apenas a “fiscalização de restaurantes impróprios”. Com base em pesquisas, leitura e discussões acerca do tema abordaremos questões sobre os mecanismos de controle de qualidade, sinalizando como isso é importante para a defesa e a saúde da população.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
ades, cáustica, consumidor, direito, Saúde, soda, suco, unilever

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